"O estudo e a aplicaçao do modelo das ecovilas não eh apenas para
ecologistas. O modelo deve ser apresentado de forma sistematizada, em uma
metodologia não linear para gerar uma massa critica e um ponto de transiçao.
Ecovilas podem tirar as pessoas da pobreza e gerar empregos atraves do senso
e espirito de comunidade. Ecovilas podem restaurar em profundidade a dignidade humana."
Fritjof Capra Fundaçao Gaia Rio Grande do Sul 26 de Janeiro 2003
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ECOVILAS, NOVAS FRONTEIRAS PARA SUSTENTABILIDADE
A Rede Global de Ecovilas durante o Forum Social Global ofereceu uma serie de oficinas coordenadas
por ecovilarejos do Brasil e exterior dando uma visao global do movimento de ecovilas que vem
promovendo assentamentos humanos sustentaveis. Exploramos diversos niveis de sustentabilidades
que informam o modelo de ecovila e como traduzi-los para os contextos rural e urbano brasileiro.
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Permacultura: Desenho para a Sustentabilidade
Facilitador: Marcelo Bueno
O facilitador iniciou a oficina após breve harmonização, buscando sensibilizar os presentes ao tema sugerido. Com as cadeiras dispostas em semi-círculo, utilizou material visual (projetor de slides, retroprojetor e esquemas "tecidos" em flip-chart) durante sua exposição.
Introduziu o conceito de Permacultura, "Agricultura permanente", desenvolvido na Austrália, nos anos 70, por David Holmgren e Bill Mollison, como a tradução de uma mudança de filosofia de vida que busca a sustentabilidade através do reconectar-se com a natureza. Mais do que isso, segundo o facilitador, Permacultura é uma técnica e, na verdade é também o projeto, um planejamento mais holístico em direção a um "viver em harmonia".
Segue colocando que, reunindo conhecimentos e habilidades de diversas disciplinas ecológicas _ velhas e novas, com o objetivo de satisfazer necessidades básicas de alimentação e abrigo, a Permacultura tem, entre seus princípios, a busca da integração harmônica do meio ambiente com as pessoas, e a suas moradias. Ao utilizar a natureza como aliada, passando a sentir-se parte e não mais proprietários desse sistema, os seres humanos se tornam mais disponíveis a trazer essa harmonia também para dentro de si e nas relações inter-pessoais. Quando isso ocorre, isto é, ao refletir-se nas relações interpessoais, essa harmonia passa a viabilizar a formação de estruturas sociais e financeiras sustentáveis, ajustando-se perfeitamente ao movimento de Ecovilas - assentamentos humanos sustentáveis.
O facilitador define a prática da Permacultura como algo "local", isto é, que necessita de adaptação ao local onde o projeto será implantado, tornando-se uma vivência, um caminhar. Será diferente, por exemplo, no sul ou no norte do Brasil, sem deixar de considerar os princípios básicos de harmonia e sustentabilidade entre os diversos elementos do projeto.
Os ouvintes mostraram-se interessados durante todo o desenrolar da oficina, e participaram ativamente da partilha final com entusiasmo e contribuições pessoais.
A oficina foi finalizada, através de uma caminhada, ao som de um grande tambor e com a formação de um círculo no pátio do local do evento. Os participantes dançaram, entoando uma canção que reverenciava a Mãe Terra. Outras pessoas agregaram-se ao grupo. *
Relatado por Erna Jung
* Esta foi a forma como todas as oficinas do Movimento de Ecovilas foram finalizadas, através de uma integração trans-cultural, num gramado, debaixo de árvores, em contato com a natureza. A oficina de Celebração Transcultural foi a única exceção a essa "regra", pois ocorreu inteiramente na área externa do local do evento. 
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Bio-construção e Energias Renováveis
Facilitador: Cláudio Casaccia
Após harmonização inicial, num círculo temático, o facilitador introduziu brevemente o movimento das Ecovilas, no qual se contextualiza a experimentação de processos de construção ecológica e utilização de energias renováveis. A seguir vivenciou-se um diálogo entre o facilitador e cinco convidados do círculo central, formado por profissionais com experiência na área da construção (Arquitetura e Engenharia).
Questões cruciais nesse processo foram colocadas, entre outras, referindo-se a:
- gastos energéticos no transporte (combustíveis fósseis) dos materiais para a construção.
- insalubridade urbana que vem dos materiais usados nas construções (amianto, pvc, poliuretano), produzidos em larga escala.
Num segundo momento, os demais participantes da oficina foram convidados a darem sua contribuição. A partir das idéias levantadas então, o grupo destacou a importância de se pensar no processo de transformação para a sustentabilidade como um caminho gradativo. Algumas ações concretas foram sugeridas com o objetivo de minimizar o impacto ambiental causado pelas construções, e promover a sustentabilidade:
1) reduzir ao mínimo o gasto de energias e materiais de impacto ambiental; 2) utilizar materiais alternativos, especialmente aqueles oferecidos na região mais próxima do local de construção; 3) utilizar meios de transporte alternativos;
4) praticar um consumo consciente, ou seja, conhecer o ciclo berço a túmulo, de cada material que for utilizado.
Três outros aspectos foram destacados como fundamentais para a vivência desse processo de transformação para a sustentatibilidade:
A) Empreender práticas de bio-construção de interesse social, tornando esses conhecimentos e práticas acessíveis a regiões urbanas periféricas, por exemplo. B) Divulgar as alternativas já pesquisadas e experimentadas no meio universitário. C) Criar uma rede de comunicação e diálogo sobre esse assunto.
Em relação ao último aspecto, na própria oficina, foi experimentado um pequeno trabalho em grupo, no qual se criaram (e registraram) pensamentos coletivos para a mudança de paradigma na construção. Também houve a disponibilização de um site para o início dos diálogos em rede: www.anel.org.br/fsm
Relatado por Paulina Maria Cao 
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A Saúde nas Ecovilas: Uma Visão Integrativa Facilitador: Jorge Mello
A abertura ocorreu a partir de um convite a um breve momento de silêncio e conexão com a respiração, e com os laços que nos uniam como comunidade humana.
Seguiu-se um momento de contextualização, onde foi feita uma breve explanação do conceito de Ecovila, dos níveis de sustentabilidade e da realidade mundial e brasileira quanto ao tema.
O tema da oficina foi iniciado através da exposição do histórico da abordagem terapêutica interdisciplinar, com exemplos de ecovilas (Findhorn, The Farm), e iniciativas no Brasil. Foi disponibilizada uma breve descrição e apresentação gráfica sobre o modelo conceitual da atuação terapêutica e das metodologias de integração entre as disciplinas.
Desenvolvida num círculo temático, os integrantes do círculo central foram convidados a fazer seus depoimentos: Dr. Joaquim Mello (Obstetra-ginecologista), Dra. Clara Brandão (pediatra e nutricionista), Dra. Magda Mariante (psicóloga), Dra. Valéria Ivaniski (pediatra e homeopata), Prof. Margarida Oppliger (educadora física e psicomotricista relacional). Com postura marcadamente propositiva, todos reportaram suas experiências e suas visões sobre o potencial da atuação integrada e humanizada na área de saúde.
Aberta a possibilidade de partilhas e perguntas, houve grande participação dos presentes, que somavam aproximadamente 95 pessoas, do Brasil e países vizinhos. Houve um caráter positivo nas manifestações, com questionamentos ao modelo vigente e muitas idéias e depoimentos pessoais de experiências positivas, na mesma linha proposta pela oficina. Foi muito enfática a posição de pessoas que disseram do quão importante é que o movimento das Ecovilas influencie de forma pragmática a sociedade como um todo, difundindo as tecnologias propostas, e proporcionando uma nova visão para o futuro da humanidade no Planeta.
Ao final, foi feita uma breve retrospectiva do encontro, e todos foram convidamos para encerrar com um momento de danças circulares, a exemplo do que vinha ocorrendo com todas as oficinas do Grupo de Ecovilas, na frente do prédio onde realizou-se essa oficina. Nesse momento, agregaram-se mais pessoas à Roda, e o trabalho foi finalizado ao sol do meio-dia, com todos os presentes sendo contagiados por uma energia luminosa e bela, com muita confiança num mundo melhor, que é possível pela união de nossas vontades e atos.
Relatado por Jorge Mello 
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O Renascer da Agricultura - Agricultura Sustentável das Ecovilas
Facilitador: Glaico José Selll
Essa oficina foi desenvolvida dentro de um círculo temático, com o objetivo de demonstrar a viabilidade e a necessidade urgente da produção sustentável de alimentos.
Após breve introdução e apresentação, cada um dos participantes do círculo central, composto de convidados com experiência no campo de produção e ou distribuição de alimentos, prestou seu depoimento, sempre trazendo novas proposições.
A seguir, o facilitador colocou questões tocantes a respeito das conseqüências da chamada "Revolução Verde", dos anos 70, propondo que as mesmas fossem primeiramente respondidas pelos convidados do círculo central, antes de serem abertas ao público em geral. As questões propostas foram:
1. O que é, para você, o "Renascer da Agricultura"? 2. Qual sua opinião sobre uma "produção transdisciplinar", que integre vários profissionais e segmentos da sociedade (produtores e consumidores de diversas áreas como agrônomos, médicos, psicólogos, biólogos, sociólogos e outros), para discutir a produção de alimentos, como atividade que busque a saúde humana e planetária? 3. O que é, para você, "Alimento com Caráter"? Como garantir sua existência? 4. Como implementar a articulação dos produtores e consumidores para a comercialização dos produtos? 5. Como reverter o quadro de falta de recursos específicos para a produção de alimentos orgânicos por parte do governo? 6. Que atitude tomar com relação aos transgênicos? Como adotar uma postura responsável, princípios de precaução, protocolo de biossegurança?
Estas questões foram respondidas por todos os presentes, acendendo um intenso e acalorado diálogo entre todos, querendo cada um contribuir de alguma forma. Foi sugerido que todas essas colocações poderiam ser levadas a uma rede, onde poderiam ser amplamente discutidas com a proposição de serem tomadas novas atitudes, oportunizando, dessa maneira a criação de um novo caminho para a Agricultura.
Foi proposto que se restabeleça a "Cultura", que foi retirada da "Agricultura", acabando por ceder seu espaço ao "agrobusiness", viabilizando uma forma solidária e eficiente de produção e distribuição de alimentos.
Obs.: as questões de número 5 e 6 não chegaram à discussão, em função do tempo, pelo calor suscitado pelas questões anteriores.
Relatado por Erna Jung 
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A Arte de se Liderar em Círculo - Governança nas Ecovilas
Facilitadora: May East
O conteúdo e atitudes praticadas durante essa oficina, ilustraram o tema proposto e a vida nas ecovilas. A pontualidade fez-se presente enquanto cola. Dois guardiões do coração, um guardião do tempo e uma relatora foram estabelecidos. A sala foi fechada quando se esgotou o seu espaço físico, através de um acordo do grupo, para que o processo se mantivesse harmonioso. Todo o trabalho teórico foi intercalado por cantos, dinâmicas e atividades corporais dentro do espaço disponível.
A facilitadora colocou num "Mapa da Mente" cada um dos os aspectos a serem abordados, definindo o tempo aproximado que pretendia utilizar em cada um deles.
Inicialmente foi estabelecida a distinção entre diálogo e debate, para que se padronizasse a atitude do grupo perante as exposições e posterior troca de impressões.
Falou sobre a importância dos "acordos" e situou o poder, dentro da visão sistêmica e integrada das ecovilas, onde é encarado como algo que não pertence a alguém, mas que acontece através de alguém. É o que se chama de Poder Com, que transcende o Poder Sobre, que pressupõe domínio e hierarquia. No contexto do Poder Com, só se considera tarefa realizada se o processo foi observado e o relacionamento aprofundado. A liderança circular é temporária e prevê a vulnerabilidade do líder, onde conflitos e caos são bem vindos e tidos como um caminho para o crescimento da comunidade. Assim, faz parte da postura das ecovilas encarar o problema, enquanto solução e o conflito enquanto aliado.
Dando continuidade à oficina, alguns convidados, com experiência no tema, por residirem em comunidades, fizeram seus depoimentos. Foi ressaltada a dificuldade de se trabalhar com liderança circular e a necessidade de estabelecer, como um aliado, o tempo para amadurecimento das relações grupais. Ficou evidente a necessidade da ousadia e disposição para quebrar antigos padrões, exemplificando, a síndrome do fundador. Por outro lado, apesar das dificuldades, esta forma de liderança em todos os casos aumentou muito a confiança e rendimento no trabalho.
Seguiu-se um conselho de mulheres e homens, onde foi realizada uma dinâmica de grupo, através da qual, a palavra rodou pelo círculo maior. Foi frisada, a necessidade do aumento de sensibilidade neste processo e houve um reconhecimento geral sobre a importância e dificuldades sobre a nova forma de liderança. Nesse momento foi possível vivenciar uma prática de "tomada de decisão", na qual, através de uma votação, a maioria concordou que o conselho parasse, por ter excedido o tempo disponibilizado, para esse fim. Assim, a facilitadora prosseguiu, num contexto teórico honrando o que havia sido combinado previamente. Falou, então, sobre os princípios da liderança visionária que emerge no movimento das ecovilas.
Ao término da oficina, após algumas palavras de love back, o tambor soou e a dança completou a magia.
Relatado por Elisângela Rassul 
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Ecovilas e Economia Solidária Facilitadora: Ana Barcellos
Após harmonização inicial, conduzida por uma das pessoas convidadas para compor o círculo temático, a facilitadora introduziu a oficina, com uma breve apresentação dos convidados. Propôs a todos os presentes, uma chuva de idéias, a partir da primeira impressão causada pela palavra economia. Com as múltiplas impressões colocadas, foi sendo traçado um paralelo entre a Economia tradicional (capitalista, de mercado) e a Economia Solidária. Ficou claro que há mercado nas duas formas de economia, bem como moeda e mesmo lucro. As diferenças estão na função que cada um desses elementos exerce, no modo como interagem os seres humanos entre si e com os mesmos.
Os elementos citados, por exemplo, são estratégias para a manutenção da qualidade de vida de todos os seres, portanto são "meios" para a vida e não o objetivo em si. Passa-se do "acumular dinheiro" (moeda), na Economia Capitalista, para o processo de "verdadeira circulação da moeda", na Economia Solidária, gerando iguais oportunidades e possibilidades para todos. Neste caso o dinheiro passa a ter a conotação real de "energia".
Foi dada ênfase à proposta das ecovilas, de adotarem um novo modo de lidar com as questões econômicas: baseada no apoio mútuo, utilizando uma forma participativa e cooperativa, visando alcançar juntos aquilo que seria mais difícil de conseguir estando isolados. Nessa forma de economia todos ganham, logo, ninguém perde.
Após a exposição da experiência de cada um dos componentes do círculo temático, o diálogo foi estendido aos demais presentes, acolhendo perguntas, comentários e contribuições dos participantes. Diante de algumas dúvidas, recorrentes sobre o alcance da Economia Solidária na sociedade urbana hoje, surgiram propostas com base em algumas experiências:
1) Formação de clubes de troca, nos quais ocorre a exposição da produção ou serviços disponíveis para a troca, de forma direta ou indireta, dispensando ou não, a utilização de uma moeda, a "moeda solidária".
2) Consumo consciente (preferência em consumir produtos de pequenos proprietários, que produzam de modo ecológico e próximo à região onde se vive, diminuindo a pegada ecológica e distribuindo melhor a riqueza). 3) Linhas de crédito solidárias.
Outro grande questionamento recorrente no grupo foi a valoração ligada ao reconhecimento do trabalho dos integrantes das comunidades. Novamente tornou-se clara a necessidade de uma alteração de paradigma no modo de interagir com os elementos da economia, nesse caso, a moeda.
Ao longo de toda a oficina houve intensa troca de contatos e referências bibliográficas sobre o assunto. Diante de toda essa discussão, ao final, foi proposta uma mudança de atitude: abrir mão de uma atitude consumista e escolher o caminho da simplicidade voluntária.
Foi também enfatizada a importância de um posicionamento firme com relação a produção de alimentos transgênicos no país.
Relatado por Paulina Maria Caon 
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Ecovilas, Novas Fronteiras para a Sustentabilidade
Uma Visão Global do Movimento de Ecovilas Facilitador: Franco Werlang
O facilitador introduziu brevemente a oficina, colocando que este espaço foi aberto com vistas a integrar os 8 níveis de sustentabilidade. Cada um desses níveis foi abordado especificamente nas oficinas anteriores do grupo. Mais uma vez foi adotado o círculo temático, tendo como convidados, no círculo menor, os facilitadores daquelas oficinas, além de outros convidados.
Este trabalho foi iniciado através de uma harmonização, seguida da apresentação da "Hipótese Gaia", por uma das facilitadoras convidadas. Segundo esta formulação todos os seres estão interligados, como partes do corpo de Gaia, planeta vivo, em evolução. A atmosfera de Gaia é equilibrada de forma dinâmica a fim de manter a vida de todos os seres vivos. Simplesmente percebendo essa conexão, poderemos tirar grandes aprendizados. Como ocorre na evolução humana, a Terra está passando por crises em seu desenvolvimento e nós, seres humanos, somos como órgãos do planeta. Junto com Gaia, todos estamos padecendo de uma neurose, fruto da ambição por um crescimento indefinido e insustentável, gerado pela ganância do ser humano.
A seguir, May East colocou o conceito de sustentabilidade, que é a cola do movimento global de ecovilas. Colocou também, que as ecovilas se propõem a "não retirar da Terra, mais do que é possível devolver", promovendo, dessa forma, a sustentabilidade. Para tal todo um modelo ambiental, social, cultural e espiritual vem sendo constantemente revisto e aprimorado. Fala na liderança em círculo, e na diferença entre o "poder sobre" e o "poder com". Na liderança, o círculo dá a forma de cooperação e poder com, que é o poder que não pertence a ninguém. É o poder enquanto processo, pois acontece através do indivíduo. O formato do círculo já é a mensagem. "Sentar no círculo é se conectar com o amor e a sabedoria de todos." O círculo aparece em todos os níveis.
Cada um dos demais convidados do círculo resumiu, para o círculo maior, um dos oito níveis de sustentabilidade, na vertente que conhece aqui, no contexto brasileiro. Na bioconstrução, por exemplo, aparece no aproveitamento de energias limpas, renováveis. Outra forma de energia que ajuda a manter a conexão com a Terra é a espiritualidade, que permeia cada um dos níveis de sustentabilidade. As ecovilas estão atentas aos ciclos e ritmos, celebrando os ciclos da terra e realizando os ritos de passagem, valorizando e respeitando cada fase da vida humana.
Entre os diversos aspectos abordados, destacou-se ainda, a importância da produção local de alimentos, bem como da reutilização dos resíduos. É o alimento que circula e volta à natureza para ser reutilizado. Mais importante do que a quantidade de comida que se ingere é a qualidade da mesma. Foi enfatizado que a Educação concebida nos moldes da sustentabilidade enxerga o ser como uma célula com um potencial único e que, portanto, sua sabedoria deve ser estimulada. A educação consiste em extrair o que o "educando" tem dentro de si, sendo esse um processo para a vida inteira. O "educador", na verdade, aprende ao mesmo tempo que ensina e isso traz mais uma vez o círculo a esse nível.
Na economia, aparece na circulação da moeda e dos bens, em lugar de ficarem estagnados, acumulados nas mãos de poucos. Foi ressaltado também que é necessário gerar uma estrutura de apoio para que a dignidade humana seja possível.
Ao final da exposição dos convidados, foi aberto espaço para os depoimentos do círculo maior, com o objetivo de redesenhar, conjuntamente, as novas fronteiras para a sustentabilidade, nos moldes do Brasil. Foi, então, proposto que cada um idenficasse de que forma poderia contribuir, para melhorar a sustentabilidade. Sugeriu-se que cada um assumisse o compromisso consigo mesmo de fazer o que for possível, com o que estiver disponível em sua área e local de atuação, já.
A proposta das ecovilas foi muito bem aceita e encarada como fundamental para este momento de mudança de paradigma.
Toda a oficina foi permeada por atividades que contribuíram para integrar mais o grupo (práticas vivenciais, danças, cantos, etc). A oficina foi finalizada com o tambor soando ainda dentro da sala, e a dança "circular" contribuiu para "tecer" o comprometimento do grupo, emanando energia para ações futuras.
Relatado por Elisângela Rassul 
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Celebração Transcultural da Rede Global de Ecovilas
Facilitadora: Rona Ribeiro
Essa oficina, planejada com o objetivo de celebrar e vivenciar a transculturalidade do movimento de ecovilas, foi totalmente desenvolvida nas dependências externas do local do evento.
Iniciou com o toque de tambores, chamando o silêncio.
Formou-se um grande círculo ao redor de três grandes tambores, tocados por três casais, representando as raças que estavam presentes.
Os quatro elementos da natureza - ar, fogo, terra e água - também estiveram representados, através de diversas formas, sendo celebrados através da música, canto e dança, da poesia, da história e explorando o visual através de imagens e cores, caracterizando-os.
A facilitadora deu início à celebração da Arte, propriamente dita, anunciando o Cântico das Criaturas. Todos celebram conjuntamente. A seguir, May East foi convida para fazer a abertura, seguindo-se uma dança circular, onde foi invocada Pachamama.
Em cada um dos portais foram invocados os arquétipos ligados aos elementos, sendo representados por participantes que propuseram e conduziram todos os presentes a vivenciarem a criatividade e as artes, expressando, dessa forma, a unidade das ecovilas.
Cada portal foi vivenciado através de invocações das qualidades atribuídas ao mesmo, sendo depois tocado, declamado, cantado e finalizado por uma dança sagrada. Durante toda a celebração, entre um e outro portal, o silêncio era novamente chamado pelo toque de tambores.
Durante toda a realização da oficina percebeu-se uma profunda conexão, entre os participantes. Essa conexão ficou fortemente demonstrada, antes do encerramento, quando a facilitadora convidou a todos os presentes a expressarem o seu sentimento através de uma palavra.
Mais uma vez o público foi agregando-se ao círculo, durante toda a oficina. Houve sintonia e integração do grande grupo formado.
Relatado por Erna Jung 
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